É possível recuperar das sequelas de AVC através de tratamentos inovadores não invasivos. Novas técnicas começam a surgir que podem estimular e ajudar na sua recuperação.

Após um AVC, ocorre um período de reabilitação espontânea durante o qual existem melhorias que podem ser mais ou menos significativas.

No entanto, mais de dois terços dos pacientes revela sequelas de longa duração em múltiplas áreas do funcionamento (ex. funções motoras, linguagem/fala, cognição, sensibilidade, entre outras). As sequelas de AVC sofridas invariavelmente comprometem a qualidade de vida dos doentes, como perdas na autonomia e dificuldades na integração social e profissional.

Por tudo isto, existe uma forte necessidade de estratégias de reabilitação neurológica que se apresentem como inovadoras e capazes de devolver a autonomia e funcionalidade.

No campo da reabilitação neurológica, as técnicas de modulação não invasiva das redes cerebrais têm-se apresentado como novas oportunidades na recuperação das sequelas de AVC.

A estimulação cerebral não-invasiva e o neurofeedback, tratamentos inovadores que tratam diretamente as marcas do AVC nas redes cerebrais, têm revelado sucesso na recuperação.

Tratamento das sequelas de AVC a Nível Motor

  • Estimulação cerebral não invasiva – quer através de estimulação magnética transcraniana quer de estimulação transcraniana por corrente contínua – atua no sentido de aumentar a excitabilidade cortical motora e de promover a reorganização funcional, o que se traduz em benefícios inequívocos no treino motor, potenciando assim os resultados da fisioterapia. Também nos casos de disfagia e disartria os resultados dos estudos apontam para melhorias mais consideráveis e rápidas do que aquelas que seguem abordagens mais tradicionais. Nestes casos, os tratamentos de terapia da fala podem ser potenciados pela neuroestimulação.

  • Neurofeedback – abordagem que visa modular a conectividade cerebral e que permite monitorizar a atividade cerebral. O sistema gera um feedback em tempo real sobre as mudanças específicas nos padrões da atividade, o que garante uma melhoria na conectividade do córtex motor.

Tratamento do Défice Cognitivo

  • Estimulação cerebral não invasiva e treino cognitivo – efeito benéfico em diferentes domínios cognitivos, tais como a memória, a atenção e funções executivas.

Tratamento da Dor pós-AVC

  • Estimulação cerebral não invasiva – este tipo de abordagem pode ser um fator decisivo no controlo da dor central pós-AVC, uma vez que este tipo de dor é melhor caracterizada como um distúrbio da reorganização da rede cerebral.

Por tudo isto, um plano para a recuperação pós-AVC deve ser implementada por uma equipa multidisciplinar, da qual devem fazer parte os serviços de neurologia, fisiatria, neuropsicologia, fisioterapia, terapia da fala, terapia ocupacional e psicomotricista.

Atualmente, várias são as áreas da reabilitação neurológica que contam com o apoio de estudos com resultados promissores em várias condições clínicas, nomeadamente na recuperação pós-AVC.