O Acidente Vascular Cerebral, comummente designado por AVC, corresponde a uma condição clínica que frequentemente causa alterações em determinadas funções cerebrais. Estas alterações, por sua vez, provocam grande impacto na vida de quem sofre um AVC, pois podem levar a uma diminuição da funcionalidade, assumindo-se o AVC como a principal causa de dependência e de incapacidade em Portugal.

As sequelas que podem resultar do AVC são variáveis e dependem da extensão e da localização da lesão, que pode afetar os hemisférios cerebrais, o cerebelo, o tronco cerebral ou os gânglios da base.

De forma muito frequente, mesmo após um período de recuperação espontânea, permanecem sequelas que podem afetar o movimento, a força muscular, a coordenação, o equilíbrio, a comunicação e linguagem, a deglutição, a visão ou mesmo o funcionamento mental ou cognitivo. Estas alterações, invariavelmente, provocam limitações ao nível das atividades de vida diária e, consequentemente, restrições na participação social.

Sendo as implicações tão variáveis, a reabilitação neurológica pós-AVC requer a intervenção de uma equipa multidisciplinar especializada que consiga dar uma resposta integrada a todas as limitações sofridas. Para além disso, o plano de reabilitação neurológica deve ser desenhado tendo em conta os dados fornecidos pela comunidade científica, integrando métodos com evidência científica comprovada.

Umas das questões mais estudada atualmente na reabilitação pós-AVC, diz respeito à intensidade das terapias, ou seja, o tempo de cada sessão e as horas de treino necessárias à recuperação da função. Os estudos indicam uma forte relação entre o aumento da intensidade da reabilitação e a melhoria dos resultados funcionais.

A Reabilitação Intensiva na CERmudança

A reabilitação intensiva deve ser implementada tão cedo quanto possível, de forma diária, num período superior a três horas por dia. A repetição das tarefas reforça a capacidade de plasticidade cerebral, através do fortalecimento da comunicação entre as células cerebrais.

Baseada nestes princípios, a CERmudança disponibiliza um programa de reabilitação neurológica intensiva e multidisciplinar, apoiado pela aplicação de tecnologias avançadas de estimulação cerebral.

O programa inicia-se com a avaliação clínica, durante a qual é realizado um exame físico pelo médico especialista em neurologia e fisiatria, que fazem um levantamento das principais limitações. Após esta avaliação médica, é realizada a avaliação técnica pelas valências de Neuropsicologia, Fisioterapia, Terapia da Fala, Terapia Ocupacional e Psicomotricidade. Da avaliação, resulta um programa de intervenção intensivo, que pode atingir as 6h de terapia diária, distribuídas pelas valências referidas, englobando, sempre que aplicável, tratamentos de neuroestimulação, como a Estimulação Transcraneana, Treino Cognitivo Computorizado e Neurofeedback.

Os resultados da reabilitação intensiva têm-se revelado como motivadores e as inovações tecnológicas e terapêuticas na área da reabilitação neurológica revelam-se capazes de oferecer resultados mais rápidos e promissores, devolvendo a funcionalidade e assim melhorando a qualidade de vida.